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Um pássaro sem poiso

Palavras soltas, livres, voando por aí

Um pássaro sem poiso

Palavras soltas, livres, voando por aí

29.04.20

Da teoria da conspiração ao castigo divino


Isa Nascimento

À porta do dia do fim do Estado de Emergência, e porque se vê e lê um pouco de tudo nas redes sociais e nos sítios web do mundo inteiro, pareceu-me relevante partilhar este desabafo.

Há quem acredite que a China e as grandes multinacionais farmacêuticas estão por trás da criação em laboratório do coronavírus que causa a COVID-19. Há quem acredite que a Natureza se está a revoltar contra a Humanidade, cansada de todas as atrocidades que contra ela cometemos. E há também quem ainda acredite que não há motivos para alarmismos, pois tudo isto é uma grande manipulação dos media para permitir aos governos subjugar os povos e extinguir a democracia à escala global.

É deliberadamente que não partilho quaisquer exemplos. Estou cansada de receber vídeos, cartoons, artigos e memes alusivos à pandemia e ao isolamento social. Só agravam as dúvidas e os receios e já estou cansada de pensar onde ponho as mãos sempre que saio de casa!

Por todo o lado há teorias, recomendações e muitos “é preciso…” e “temos de…”, como se o mundo estivesse dividido entre o “eles” que estragaram isto tudo e o “nós” que queremos agora que “eles” componham o que estragaram.

Curiosamente, não encontro “eus dispostos a agir no meio de todo este ruído verbal e visual em torno da COVID-19. Ninguém diz que chegou à conclusão de que andava a viajar demasiado nas férias e que, a partir de agora, reduzirá ou deixará de fazer viagens aéreas nas férias. Ninguém diz que vai começar a comprar menos e a preocupar-se em adquirir preferencialmente objetos de fabrico nacional e sem inclusão de matérias-primas provenientes de países que desrespeitam completamente os direitos humanos e violam constantemente a proteção da natureza e do meio-ambiente.

Chega de desresponsabilização individual justificada por teorias da conspiração ou em forças divinas.

 

20200222_173341.jpgTudo isto que nos está a acontecer é consequência da forma como vivemos. É uma reação do mundo natural às ações do mundo humano e vai voltar a acontecer se não mudarmos coletivamente, começando em mim própria e em si que me está a ler neste momento.

Por isso, basta de abusos à natureza e ao mundo selvagem.

Agora, mais do que nunca, “menos é mais”. É tempo do “eu” agir, assumindo na primeira pessoa as recomendações que partilha em intermináveis correntes de solidariedade e alerta.

É altura de assumir o compromisso e de o cumprir à risca.

 

Eu tenho refletido muito sobre a minha pegada ecológica e sobre o que posso fazer para evitar ou minimizar futuras pandemias, pois acredito que a responsabilidade é nossa, da humanidade no seu conjunto, mas essencialmente de cada um de nós que continua a abusar dos recursos do planeta. Acredito que já pratico um estilo de vida bastante amigo do ambiente, mas sei que posso fazer ainda mais.

 

Assim, afirmo para cumprir, que:

  • Vou comprar e desperdiçar menos em alimentação, vestuário, etc.
  • Comprarei preferencialmente produtos fabricados em Portugal.
  • Estarei mais atenta à proveniência das matérias-primas dos artigos que compro para não alimentar a exploração humana e/ou de recursos naturais.
  • Darei preferência ao comércio local.
  • Evitarei usar artigos descartáveis ou optarei por materiais recicláveis.
  • Reciclarei ainda mais do que já faço.
  • Continuarei a privilegiar os transportes públicos sempre que possível.
  • Viajarei de avião em lazer, no máximo, uma vez a cada dois anos.

 

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Acredito genuinamente que, se cada um de nós consumir um pouco menos e poluir um pouco menos, há uma grande probabilidade de, no futuro, não sermos surpreendidos por outra pandemia igual ou pior do que esta.

Como “eu” faço parte do “nós” onde “eles” também se incluem, deixo-lhe a questão verdadeiramente importante:

 

O que está disposto/a fazer para melhorar o mundo em que vive(mos)?

23.04.20

Dia Mundial do Livro | 23 de abril


Isa Nascimento

Neste dia tão especial para quaisquer amantes da leitura e da escrita, não quero escolher um livro para homenagear, pois sentir-me-ia a injustiçar de alguma forma todos os outros que li e que deixaram uma sementinha a germinar dentro de mim.

Assim, inspirada numa frase que retive na memória no verão de 2018, quando vi o filme de Isabel Coixet “A Livraria”, baseado no livro homónimo da autoria de Penelope Fitzgerald, preferi homenagear as suas “casas”, as livrarias e as bibliotecas, os nossos locais de culto e de perdição:

Nunca alguém se sente sozinho/a numa livraria.

 

No original: “No one ever feels alone in a bookshop.”

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20.04.20

Metamorfose


Isa Nascimento

No canteiro estava uma flor

Exuberante e viçosa

Com várias camadas de pétalas

De vários tamanhos e formas.

Guardava ainda as lágrimas da chuva

Brilhantes, ao sol da manhã

Que sacavam lentamente.

 

Vi a minha vida naquela flor

Em cada pétala uma memória

Em cada gota uma ilusão

Em cada vinco uma aprendizagem.

 

Nas sobreposições os capítulos passados

Na cor vistosa a teimosia.

 

Um conjunto harmoniosamente imperfeito

Aguardando sem saber bem o quê.

 

Fevereiro de 2020

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10.04.20

A liberdade tal como a vejo hoje


Isa Nascimento

Tenho de confessar que aguardava ansiosamente por este dia em que a liberdade aos meus olhos veria a luz do dia pela mão da nossa querida MJP... 

Mas nem pensei no que iria dizer para vos apresentar esta preciosa oportunidade de partilha que me foi oferecida nesta época que nunca esqueceremos. Será, seguramente, uma das boas memórias que carregarei comigo para sempre.

Profundamente grata Zé. 

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