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Um pássaro sem poiso

Palavras soltas, livres, voando por aí

Um pássaro sem poiso

Palavras soltas, livres, voando por aí

15.10.20

Diante de mim


Isa Nascimento

Olhei para o céu enladrilhado

Pequenos tufos de lã alva

Imaculadamente brancos sobre o céu anil

Transformado em paleta de azuis

 

Olhei para lá das árvores

Que me davam os bons dias

Agitando suavemente os braços

Céu, nuvens, árvores e lago cerúleo

A pintura perfeita diante de mim

Recebendo minha alma em seu abraço

Oferecendo-me o seu colo

Imenso e acolhedor, seguro

 

Lembrei os olhos da minha mãe

Vi-os entre os salpicos brancos

Naquele imenso céu azul

 

Para onde quer que olhasse

Lá estavam eles, os olhos dela

Cristalinos como um espelho d’água

Sorrindo, dizendo-me que era hora

De tirar os olhos do espaço celeste

E deixar por lá as mágoas

 

Setembro de 2020

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09.10.20

Num grão de café


Isa Nascimento

Enquanto degustava o meu café

Tranquilamente na minha cozinha

E os sons do dia começavam a despontar lá fora

Senti o aroma dos países quentes

Impregnado no grão torrado ao sol

 

E vi as gentes a cuidar das plantas

As suas mãos secas e ásperas

Da labuta diária que é viver da terra

 

Alguns rostos tristes e saturados

Já sem fé que os anime

Outros alegres e sorridentes

Orgulhosos do seu trabalho

Das técnicas ancestrais que passam

De jornada em jornada

Oralmente e na prática

Às gerações seguintes

 

Até os rostos cansados

Por momentos se animam

Quando o legado passado

É também vindouro

 

Agosto de 2020

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08.10.20

Das minhas sete palavras...


Isa Nascimento
Na sequência do desafio de hoje da Ana de Deus, que pedia algo completamente diferente, foi este o texto que surgiu das minhas sete palavras:
 
 Gratidão por tudo e por nada.
 Recomeço após cada tempestade.
 Esperança sempre verdejante.
 Apoio sem crítica nem julgamento.
 Paciência para lidar com as limitações.
 Tolerância para aceitar as diferenças.
 Coragem para não deixar de acreditar.
 
 
05.10.20

E se alguém...


Isa Nascimento

... de repente, lhe oferecer flores? 

Hoje, no final da manhã, fui ao supermercado comprar legumes. À saída fui surpreendida por um balde cheio de gerberas, mais ou menos viçosas, com um letreiro:

Leve as que quiser, são de graça. 

Pareceu-me irreal, continuei em direção à saída, mas voltei para trás assim que pus o pé na rua.

Se dizem que são de graça, é porque são. Adoro flores. O que raio me inibe de levar umas quantas para me alegrar a sala? 

Nada! 

Lá compus o meu raminho e regressei feliz a casa!

Grata ao "alguém" que hoje resolveu oferecer-me flores! 

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