Não esqueçamos o banal bem
Quem anda muito pelas ruas e entre as gentes tem a oportunidade de ver muitas coisas que se agravam de dia para dia: a degradação dos edifícios públicos e das estradas, as multidões nas ruas, os aglomerados nos transportes, o caos no trânsito que impacienta e dá vontade de buzinar, a poluição, o ruído infernal e constante, os lixos... os lixos por todo o lado, espalhado pelos passeios, encostados às árvores, largados nos jardins, nos lagos, nos bancos das paragens de autocarro. E ainda monos e dejetos de cães cada vez mais frequentes.
Quem anda muito pelas ruas tem muitas vezes de andar pela estrada porque os passeios estão cheios de carros. E chega exausto a casa pelo tempo gasto, pelos atrasos e pela imprevisibilidade dos transportes públicos...
É fácil isto tudo ser tudo o que se vê e a que se dá atenção.
É fácil manter isto tudo na mente mesmo depois de, finalmente, se ter chegado a casa.
É fácil deixarmo-nos vencer pelo cansaço destes dias iguais, acompanhados de notícias avassaladoras de guerras, assassínios e acidentes. Enfim, notícias de morte e destruição a todo o instante em que estamos de olhos abertos e ouvidos à escuta.
É fácil esquecermos até a bondade e a generosidade de quem dedica uma vida inteira a ajudar pessoas menos afortunadas.
Há, porém, um lar que todos os dias nos acolhe e abriga apesar disso tudo.
Há os sorrisos que podemos dar e receber no supermercado ou no trabalho.
Há a vizinha que festeja quando nos encontra na rua e nos deseja "tudo de bom" quando se despede.
Há a chuva que dá de beber à vida e o sol que aquece os corações.
Há as pessoas que não se esquecem de nós e aquelas de quem nunca nos esquecemos, mesmo que por cá já não andem.
Há comida para apreciar, seja pouca, simples e ingerida na solidão, ou abundante, requintada e partilhada à mesa com as nossas pessoas.
E há abraços. Carinhos e miminhos.
E há palavras. Cartas, bilhetes e livros.
E há jardins, praias, montes e vales, o canto dos pássaros e das crianças que são o nosso futuro.
Não deixemos, pois, de ver as cores das flores e do arco-íris, de apreciar o aroma da terra molhada e do bolo acabado de sair do forno.
Não esqueçamos de dizer "Amo-te". Abracemos muito. Cuidemos do corpo e da mente para que não se deixe contaminar pela podridão das ações humanas que nos são atiradas à cara a toda a hora.
Sejamos honestos e simpáticos. Façamos diferente daqueles que criticamos. Não adiemos visitas àqueles que estimamos, pois amanhã pode ser tarde de mais.
Decidamos ser felizes todos os dias, valorizando o que sobra, o tanto que ainda há de bom e positivo nas nossas vidas!
🎄✨️💝🙏
