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Um pássaro sem poiso

Palavras soltas, livres, voando por aí

Um pássaro sem poiso

Palavras soltas, livres, voando por aí

30.10.19

Apropriação da verdade


Isa Nascimento

Há pessoas que se consideram detentoras da verdade.

Conheço várias assim, homens e mulheres. Não haveria nada de especial em se considerarem donas da verdade, não fora o facto de acharem que têm o dever moral de trazer clarividência à vida dos outros. Essas pessoas estão tão convencidas de que a sua verdade é “A” verdade certa, que se conferem a si próprias a missão de convencerem aqueles que as rodeiam de que vivem numa verdade errada.

Eu tenho convicções sólidas, posições bem definidas em relação a muitas coisas práticas da vida, como a alimentação e a sua relação com a saúde e a doença, mas também em relação a muitas ideologias e correntes de pensamento. Contudo, reservo-as para mim. Mesmo quando as partilho, gosto de esclarecer que é o que “eu” penso, o que “eu” sinto, aquilo em que “eu” acredito.

E sei, cada vez mais claramente, que aquilo que faz sentido para mim poderá não fazer para mais ninguém. Isto é ainda mais óbvio quando falamos em ideologias, sentimentos, gostos…, enfim, quando abordamos aquelas coisas que “não se veem”. Porém, os factos ditos objetivos e cientificamente comprováveis também podem originar uma discussão bem acesa. Fala-se muito em evidências e em factos, como se não pudessem ser manipulados para comprovar o que se pretende ou igualmente passíveis de interpretações diferentes ou potencialmente opostas.

 

“Vês o que queres ver”, alguém me disse recentemente.

Não seremos todos assim?

A verdade é uma mera questão de perspetiva.

perpetiva.jpg

Imagem de Points Of You