Apropriação da verdade
Há pessoas que se consideram detentoras da verdade.
Conheço várias assim, homens e mulheres. Não haveria nada de especial em se considerarem donas da verdade, não fora o facto de acharem que têm o dever moral de trazer clarividência à vida dos outros. Essas pessoas estão tão convencidas de que a sua verdade é “A” verdade certa, que se conferem a si próprias a missão de convencerem aqueles que as rodeiam de que vivem numa verdade errada.
Eu tenho convicções sólidas, posições bem definidas em relação a muitas coisas práticas da vida, como a alimentação e a sua relação com a saúde e a doença, mas também em relação a muitas ideologias e correntes de pensamento. Contudo, reservo-as para mim. Mesmo quando as partilho, gosto de esclarecer que é o que “eu” penso, o que “eu” sinto, aquilo em que “eu” acredito.
E sei, cada vez mais claramente, que aquilo que faz sentido para mim poderá não fazer para mais ninguém. Isto é ainda mais óbvio quando falamos em ideologias, sentimentos, gostos…, enfim, quando abordamos aquelas coisas que “não se veem”. Porém, os factos ditos objetivos e cientificamente comprováveis também podem originar uma discussão bem acesa. Fala-se muito em evidências e em factos, como se não pudessem ser manipulados para comprovar o que se pretende ou igualmente passíveis de interpretações diferentes ou potencialmente opostas.
“Vês o que queres ver”, alguém me disse recentemente.
Não seremos todos assim?
A verdade é uma mera questão de perspetiva.

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