Inverno
Cheira a terra molhada
A almas penadas
Chorando baixinho
Como a morrinha que vai caindo
Cheira a bafio
A vidas presas por um fio
Olhando o céu cinéreo
Em busca de salvação
Cheira à comiseração
De mil atos de contrição
Aprisionados nas folhas húmidas
Das árvores que se agitam, nervosas
Cheira a arrependimentos
O mais vão dos sentimentos
Das gentes que seguem dormentes
Fitando o chão sem ver o caminho
Agosto de 2020

