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Um pássaro sem poiso

Palavras soltas, livres, voando por aí

Um pássaro sem poiso

Palavras soltas, livres, voando por aí

13.05.20

Lágrimas de chuva


Isa Nascimento

Pelas vidraças da minha janela

Vejo a chuva a cair

As lágrimas do céu

Das almas que por nós choram

Enquanto assistem

Impotentes

À nossa autodestruição.

 

E por entre as gotas da chuva

Que vejo lá fora

Correm as lágrimas que não verto

Quando sofro eu

Ou sofre este mundo

Que nos acolhe no seu abraço

Enquanto, lentamente

O destruímos.

 

Enquanto escorre, estrada abaixo

Esta chuva benfazeja

Vai limpando as ruas

Matando a sede às flores

Alimentando, ainda, o ciclo da vida

Que recomeça a cada primavera.

 

Deixo-me estar a observá-la

Pelas vidraças da minha janela

Vendo-a cair constante, persistente

Embalando-me na sua cantiga

Antiga canção de embalar

Tranquilizante

Reconfortante

Que me apazigua a alma.

 

Março de 2018

20180813_180313_Florenca.jpg

 

 

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