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Um pássaro sem poiso

Palavras soltas, livres, voando por aí

Um pássaro sem poiso

Palavras soltas, livres, voando por aí

05.02.20

Ver cantar


Isa Nascimento

Fui a um clube de jazz há pouco tempo. A proprietária é também cantora. Antes de pegar no microfone andou pela sala a acolher os assistentes, cheia de boa disposição e simpatia.

É uma senhora que já revela o peso da idade e da perda de pessoas queridas ao longo da vida. A voz já está rouca, vai-lhe falhando de vez em quando e, talvez por isso, só canta três ou quatro músicas seguidas. Às vezes é até um pouco difícil perceber as suas palavras.

Mas quando pega no microfone, toda ela se ilumina. Mergulha na música, assume as palavras como suas e dá vida àquilo que canta. Transforma-se. Personifica a canção.

Foi naquele dia que percebi a diferença entre gostar de ouvir cantar e gostar de ver cantar.

É um regalo ver aquela senhora cantar. E é ainda mais delicioso ouvi-la falar da história do clube e de todas as dificuldades que tem tido de ultrapassar para o manter aberto. A paixão que transborda das suas palavras, a alegria que mantém apesar de todos os dissabores, o calor e a jovialidade com que acolhe os clientes… enchem aquele espaço de boas energias.

Chama-se Maria e foi um verdadeiro prazer conhecê-la.

20180318_153837.jpgTeatro Nacional de São Carlos

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