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Um pássaro sem poiso

Palavras soltas, livres, voando por aí

Um pássaro sem poiso

Palavras soltas, livres, voando por aí

23.12.20

Versos calados


Isa Nascimento

Não valia a pena falar-lhe de amor.
Falar-lhe de amor era recitar-lhe poesia.
A poesia do toque entre duas mãos,
Do perfume de uma rosa escarlate,
Da música do rouxinol ao entardecer,
De uma carícia no rosto enlevado.

Mas de poesia ele nada sabia.
Não o encantava como a encantava a ela,
Suavemente embalando-a
No seu ritmo melodioso
Inaudível para ele.
Incompreensível como o romantismo
Escondido por trás da luz das velas,
Trémulas e envergonhadas como ela
Quando lhe falava de amor.

Ficou sem jeito, perdeu a vontade.
Guardou no seu peito a poesia
Que a ele nada dizia
E assim, calada, se deixou ficar,
Olhando-o, simplesmente, a sonhar.

 

Autor: Isa Nascimento

Texto incluído em:

XII Volume da "Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea: Entre o Sono e o Sonho”, Chiado Books. Dezembro de 2020

antologia2020.jpg

 

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